Os novos tempos da UFGD (Livre)

outubro 21, 2015 5 comentários

Por Wender Carbonari*

Na segunda-feira passada (19/10), os estudantes matriculados na UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) retornaram às aulas após quatro meses de greve dos professores e técnicos-administrativos da Universidade. No campus, os blocos continuam nos mesmos lugares, cada tijolo, cada árvore e cada banco. Mesmo assim, a UFGD parece diferente do que era há alguns meses e pouco ou nada disso tem qualquer relação com a maior greve enfrentada nesta curta história da Federal douradense.

Foto: Franz Mendes

Foto: Franz Mendes

Faço questão de recordar que, pouco antes do início da greve, em maio deste ano, tomaram posse da reitoria os representantes do “Movimento UFGD Livre”, vencendo as eleições com argumentos sustentados na base de clichês em favor da despolitização do ensino e com apoio de setores da sociedade que compartilham das mesmas opiniões carregadas de intenções que não foram colocadas em evidência.

Mas eis que a nova gestão começa a “mostrar cara” por meio de suas primeiras ações envolvendo os alunos da Universidade. Estes não podem mais permanecer no interior das salas quando não estiverem em aula. A ordem – imposta de cima para baixo e informada através de folhas A4 coladas nas portas – é que as salas fiquem trancadas e com aparelhos de ar-condicionado desligados para evitar que os alunos danifiquem os objetos. Uma das primeiras ações da gestão do grupo que exaltava a “liberdade” enquanto característica principal, vem para justamente privar os alunos desta condição.

Tem mais. As mudanças na forma de organização do ENEPEX (Encontro de Ensino Pesquisa e Extensão) não parecem levar em consideração as condições financeiras dos estudantes. Neste ano, quem optou por participar do evento foi obrigado a pagar uma taxa de 20 reais. Ainda assim, o pior estava por vir. Ao contrário do que ocorreu no ano passado, a imensa maioria dos participantes não puderam apresentar seus trabalhos oralmente, sendo todos encaminhados para uma “apresentação de banners” que acontecerá amanhã (22/10).

O resultado disso é que os estudantes acabam perdendo a oportunidade de viver a experiência de apresentar suas pesquisas em um evento oficial, ao mesmo que força a impressão massiva de banners que poucas pessoas vão ler, quase nada vai acrescentar em questão de experiência acadêmica, mas que deve elevar o lucro de algumas gráficas da cidade.

Vai vê que é essa a tônica da nova gestão. Veremos.

*Aluno do Curso de Ciências Sociais da UFGD/Jornalista

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O Simted é que perdeu

Foto: Wender Carbonari/DeRolé

Foto: Wender Carbonari/DeRolé

 

Por Wender Carbonari*

 

O sindicato com maior número de filiados de Dourados esteve inerte durante toda a semana. A manobra para retardar as atividades do Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação de Dourados, o Simted, deu muito certo.

O grupo ligado à prefeitura atacou e esperneou durante a assembleia extraordinária ocorrida hoje (06/02/2015), na nova sede da entidade. A missão de uma minoria de filiados era bem clara: travar o funcionamento do sindicato a qualquer custo.

A justiça foi obrigada a impedir a posse da nova diretoria na segunda-feira passada, diante das acusações feitas através de ação movida por líderes deste mesmo grupo, barulhento e pequeno. Assim, foi cancelada a posse de Gleice Barbosa, até que os juízes terminem de analisar os documentos, ou melhor, “a obra de ficção”.

Das diversas e intermináveis discussões desta manhã, José Carlos Brumatti, foi o quem conseguiu resumir seus pensamentos de maneira mais sucinta. “Eles pediram para impugnar a posse e conseguiram. Depois os mesmos tentaram cancelar esta assembleia. São pessoas que não querem que o sindicato funcione”.

E não queriam mesmo.

Tanto que tentaram forçar a votação dos membros interinos da mesa diretora para que ela ocorresse de maneira pouco usual em sindicatos. Pressionaram a comissão eleitoral a fazer com que cada filiado escrevesse os nove nomes prediletos em papéis que seriam entregues à comissão e depois contabilizados.IMG_1138

Sugestão feita por questão de “desordem”, pois se fosse realizada desta maneira, dificilmente o processo acabaria antes da hora do almoço, muitos teriam que ir embora e a situação forçaria um adiamento. Assim garantiriam mais alguns dias de inércia.

O método de votação sugerido foi negado pela Comissão Eleitoral. A jogada não deu certo, desta vez.

O grupo da prefeitura perdeu em votos, mas já tinha ganhado tempo. A Fetems negocia com o governo do estado sem a pressão do Simted. Entre uma puxadinha na camisa aqui, outra acolá, é Reinaldo e Murilo que continuam nadando de braçada.

*Jornalista

 

Praças e parques de Dourados pedem socorro

(Original publicado no jornal DiárioMS, edição do dia 19 de janeiro de 2015 – Fotos de Eliel Oliveira)

Praça da Juventude, no bairro Parque das Nações I

Praça da Juventude, no bairro Parque das Nações I

Por Wender Carbonari

As poucas áreas destinadas ao lazer da população em Dourados estão em completo estado de abandono, no que diz respeito à limpeza e manutenção de equipamentos. Dos quatro lugares percorridos, apenas um apresenta boas condições de uso. Já as outras três áreas, estão precisando urgentemente de alguma atenção da prefeitura. Douradenses de diferentes bairros, entrevistados pela equipe de reportagem, reclamaram da situação de parques e praças da cidade.

Há anos nesta situação, moradores de Dourados percebem que a cidade possui bem mais que apenas quatro áreas de lazer com problemas estruturais. Porém, a Praça da Juventude se destaca. A área fica no bairro Parque das Nações I. Ao chegar ao local, o DiárioMS percebeu que o empreendimento orçado em R$ 1,8 milhão estava completamente depredado, mas, o mais curioso, é que o espaço não foi sequer inaugurado oficialmente.

O agente patrimonial que faz ronda na Praça do Parque das Nações I contou que começou a trabalhar apenas em novembro, quando o ambiente já estava com todas as paredes pichadas e com janelas e portas quebradas. Fios de energia e lâmpadas também foram furtados. A dona de casa Rosângela Pereira de Assis, 33, lembra que “depois que a obra parou, as pessoas começaram a entrar e usar a praça, mesmo antes de terminar sua construção”.

A Praça da Juventude teve as obras iniciadas em 2011 e deveriam ser entregues em 2013. O que antes representava um sonho para os moradores acabou se tornando motivo de preocupação para aspessoas que moram próximas da praça. “Antes a gente estava até feliz por causa da pracinha, mas hoje serve só para dar ‘dor de cabeça’. Os pais se quiserem levar os filhos para brincar ali, têm que ir junto, porque sozinho é muito perigoso”, relata a dona de casa.

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Praça da Juventude, no Parque das Nações I

Rosângela mora na rua dos fundos da praça inacabada e reclama da falta de segurança e do “problema” que o empreendimento tem causado aos moradores. “Não tem guarda a noite e não é seguro para a vizinhança. Mesmo com a Guarda Municipal passando para fiscalizar”.

Praça da Juventude, no Parque das Nações I

Praça da Juventude, no Parque das Nações I

PARQUE DO LAGO

O Parque Antenor Martins também apresenta problemasestruturais, principalmente nos banheiros e no parquinho. Guardasmunicipais que trabalham no Parque do Lago relataram as constantes reclamações de usuários da área de lazer.O parquinho, por exemplo, não apresenta condições para as crianças brincarem sem correr risco de se machucarem. O mato alto também é fator de risco para os usuários.

Parque Antenor Martins, Jardim Flórida

Parque Antenor Martins, Jardim Flórida

Para se ter uma ideia, o escorregadoré reparado com uma massa de preenchimento de espaços conhecida pela marca “Durepoxi”.No banheiro, os mictórios estão todos entupidos e uma das torneiras só pode ser aberta com a ajuda de um alicate.

Parque Antenor Martins, Jardim Flórida

Parque Antenor Martins, Jardim Flórida

TRANSBORDO

Não são apenas as áreas públicas de lazer dos bairros de Dourados que estão precisando de manutenção. Logo na entrada da Praça Antônio Alves Duarte, localizada ao lado do terminal de transbordo, havia uma torneira com vazamento, amarrada por um pedaço de borracha. Os bancos de uma das praças mais antigas da cidade estão quebrados, além das calçadas com buracos e matagal no local onde existia um parquinho.

 Praça Antônio Alves Duarte, centro de Dourados

Praça Antônio Alves Duarte, centro de Dourados

Maria Aparecida, 40, estava sentada em um dos bancos que ainda estão inteiros quando foi abordada pelo DiárioMS. Ela disse que estava esperando um parente e lamentou o desprezo por um dos locais que para ela deveria ser cartão postal da cidade. “Morei por oito anos em frente a esta praça e quase sempre foi assim, abandonado”, lamenta.

BALTAZAR MARQUES

A Praça Baltazar Marques, localizada numa das esquinas das ruas Joaquim Teixeira Alves com Coronel Ponciano, é outro retrato do desleixo, apesar de que está bem próxima do terminal rodoviário da cidade e na mesma área que abriga o Imam (Instituto do Meio Ambiente) e a Guarda Municipal. O mato tomou conta de tudo e as quadras de esportes, há anos, não apresentam condição alguma de uso. O local deverá abrigar, em breve, a sede da Câmara Municipal.

PARQUE ALVORADA

A única área de lazer visitada que se encontra em bom estado de uso éa praça do Parque Alvorada, inaugurada em 2011. Apesar da grama um pouco alta, a estrutura ainda está conservada, com banheiros com torneiras e mictórios funcionando normalmente. Foram investidos na área que fica ao lado da Escola Municipal Aurora Pedroso de Camargo quase R$ 2 milhões, garantidos por meio de emenda extraordinária no orçamento do Ministério do Turismo, com contrapartida dos governos estadual e municipal.

MAIS FOTOS

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Praça da Juventude, Parque das Nações I

 

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Praça da Juventude, no Parque das Nações I

Parquinho da praça do bairro Parque Alvorada

Parquinho da praça do bairro Parque Alvorada

Sobre hábitos e territórios desconhecidos

PROMESSAS – O psicólogo Bruno Pael fala sobre os hábitos, rotina e vícios

HÁBITOS 1

VÍCIO – Presente na vida de milhares de pessoas, fumar é um dos hábitos mais difíceis de combater

 

 

Por Wender Carbonari

 

Além das festas de réveillon, uma das características marcantes deste período do ano são as promessas para o ano seguinte. É justamente nesta época que fumantes prometem tentar parar de fumar e sedentários planejam começar a fazes exercícios físicos. Se por um lado o começo de um novo ano pode servir de estímulo para corrigir maus hábitos, por outro, é possível interpretar tal espera com uma desculpa confortável.

 

Hábitos são arraigados com facilidade porque o prazer vicia. A sensação de que aquele seu comportamento é o mais adequado, fácil, rápido e eficaz, faz com que as pessoas repitam comportamentos. Mudar envolve esforço e readaptação.

 

 

Em entrevista, o psicólogo Bruno Pael  fala sobre este dilema do comportamento humano. Para ele, é perigoso se apoiar em artifícios que tendem para a acomodação, já que “programar mudanças para o próximo ano também é um hábito”. Então, para aqueles que desejam mudar algumas “manias” que julgam prejudiciais, é preciso, primeiro, entender como são construídos estes hábitos em nosso dia-a-dia e a relação destes com a rotina e o desenvolvimento de vícios.

 

O que é o hábito e qual a relação com a rotina?

Pael: Hábito é um comportamento aprendido. Como todo comportamento, envolve um estímulo externo e uma recompensa para sua criação e manutenção. Um hábito instalado por muito tempo envolve certa dificuldade em mudá-lo, sendo necessária boa quantia de esforço para que este seja modificado ou excluído de seu repertório de comportamento.

A rotina, para mim, é sinônimo de acomodação. Considerando que todo ser vivo tende a economizar energia, a rotina acaba se tornando a forma mais fácil para que isso aconteça. Passamos a fazer sempre a mesma coisa pelo conforto que isso nos traz. Qualquer mudança, seja de comportamento ou de atividade no dia-a-dia, envolve lançar-se em território desconhecido e isso só acontece quando a recompensa advinda da mudança da rotina é maior que a da sua manutenção.

 

A passagem do ano velho para o ano novo pode ser fator de motivação para a mudança de hábitos?

Pael: Estamos constantemente buscando realizar mudanças em nossas vidas. Porém, o comodismo nos faz procrastinar, protelar essas mudanças. Porque esperar o próximo ano, o próximo mês ou a próxima segunda-feira? Temos o hábito de deixar mudanças para depois e sempre encontramos muitas desculpas para isso.

A mudança vem da necessidade e quando há necessidade, não esperamos outro ano, apenas mudamos o quanto antes. Sendo assim, fazer programas para o próximo ano é um excelente artifício para dormirmos com a consciência tranquila enquanto não tomamos a atitude de realizar as mudanças que queremos em nossas vidas.

 

Qual a relação do hábito com o vício?

Pael: Eu considero o hábito e o vício como duas coisas muito semelhantes. Observe o seguinte: quando um comportamento seu é visto por você como recompensador, áreas do seu cérebro estão trabalhando e te fazendo sentir isso. Você sente que vale a pena, que é bom, ou que dá prazer. A sensação boa nos traz a vontade de senti-la novamente. Assim nasce o hábito, assim nasce o vício. Entretanto, eu acredito que há diferenças entre os dois. Quando o hábito deixa de ser recompensador e prazeroso, tendemos a eliminá-lo. Com o vício, nem sempre é assim. Às vezes, mesmo depois de não ser mais prazeroso e recompensador, mesmo sendo até aversivo, o vício mantém sua força.

 

(Original publicado na edição do dia 31 de dezembro de 2014 no jornal DiárioMS – Foto de Eliel Oliveira)

 

O cinismo do 4º Poder

“Seria uma espécie de censura à imprensa por meio de um projeto que a ala mais radical do partido apelidou de regulação da mídia.”

 

Para Pedro Ekman, do Intervozes, “o entendimento que se começa a ter do problema é que ele não se refere só aos políticos, mas também ao monopólio da comunicação, pois o povo que não se vê representado pelos políticos também não se vê representado pela mídia”.  - Imagem de mobilização da CUT (Central Única dos Trabalhadores)

Para Pedro Ekman, do Intervozes, “o entendimento que se começa a ter do problema é que ele não se refere só aos políticos, mas também ao monopólio da comunicação, pois o povo que não se vê representado pelos políticos também não se vê representado pela mídia”. – Imagem de mobilização da CUT (Central Única dos Trabalhadores)

 

Por Wender Carbonari

 

Se a imprensa é um mercado, o material jornalístico se torna produto. A diferença deste mercado para outros estaria no poder ideológico existente nos veículos de comunicação. Um jornal impresso, por exemplo, pode fazer mais do que vender informações mas, ao mesmo tempo, vender opiniões. Pode, inclusive, defender aquilo que lhe convém e convencer milhares de pessoas que este é o melhor posicionamento a ser seguido. A defesa de ‘si mesmo’ em nome de uma liberdade de expressão que na prática só existe para poucos.

 

É este o tema que o editorial do jornal O Progresso aborda na edição do dia cinco de novembro de 2014. O título vem com um tom sarcástico: “Culpando a imprensa”, sobre declarações da Presidenta Dilma Rousseff em um discurso recente. Mas as bandeiras em favor da democratização da mídia, que deve ser iniciada por uma regulação do setor, não é exclusiva do PT, nem tem a ver com o caso da Petrobras. Mesmo assim, o editorial, que faz coro com tantos outros veículos do país, ataca da seguinte forma:

 

“Fica claro, portanto, que não existe nada de republicano no projeto de regulamentação [talvez aqui queiram dizer ‘regulação’] da mídia brasileira e que essa não passa de mais uma manobra para impor a censura aos veículos de comunicação. Por sorte, o Estado Democrático de Direito está consolidado e o Brasil possui instituições democráticas comprometidas com a liberdade de expressão para se opor a qualquer tentativa de cerceamento do trabalho da imprensa ”.

 

Eu te pergunto, a diversidade ideológica e cultural do Brasil é representada pela mídia? O trabalho feito pela imprensa no Brasil da maneira que se encontra hoje não possui cerceamentos? Os ditadura-da-midiajornalistas são realmente livres de interferências no seu trabalho? Consulte alguns destes profissionais e perceberá que existem balizas no trabalho feito pela imprensa e que estas balizas não são, necessariamente, pautadas no interesse público. A liberdade defendida pelo editorial do jornal de Dourados – assegurada pelo nosso Estado Democrático de Direito – é, primeiramente, a liberdade das grandes EMPRESAS/Veículos de comunicação.

 

A censura também vem de berço, bancada pela incapacidade de muitos de pensarem fora dos parâmetros preestabelecidos. Não foi a toa que cassaram a obrigatoriedade de estudar jornalismo para ser jornalista, mesmo que algumas escolas não promovessem reflexões fora do jornalismo como mercado, como uma empresa ‘igual as outras’. Afinal, não é interesse destes que defendem a tal liberdade de expressão para poucos que aconteça uma reflexão do trabalho da imprensa. O que interessa a eles é justamente a conservação do poder ilimitado aos mesmos de sempre.

 

Se em nosso país é reproduzida a ideia de que os poucos grupos que tem acesso a esta ‘liberdade de expressão’ possuem esta bênção ‘por direito’, é porque os mesmos escolheram ter esta plena liberdade de hegemonia e oligopólios. Eles são os próprios juízes deste debate. A descentralização da mídia não significa uma imprensa acrítica, até porque o relacionamento mercadológico – tanto com setores públicos quanto privados – dos atuais grupo hegemônicos não permitem que a imprensa tenha um posicionamento crítico da realidade, mas acabam sendo porta-vozes dos antagonismos destes mesmos grupos que injetam dinheiro e faz a máquina da imprensa girar.

 

Em meio a tudo isso, observamos as pessoas lendo, assistindo e escutando apenas um lado das histórias e, ao mesmo tempo, acreditando na objetividade, ou mesmo na tal ‘busca’ pela imparcialidade – palavras que são bonitas, mas não passam das ideias assépticas.

 

Sobre este mesmo tema, em um comentário na rede, um internauta chama atenção para o que seria a regulação da mídia como o incentivo a criação de ‘TVs públicas partidárias sustentadas pelo povo’. Mal sabe ele que a maior parte da verba federal destinada à mídia vai para as Organizações Globo – entendes-se esta como um conglomerado de jornais espalhados pelo país, de rádios, de canais de TV e de portais na internet. Ou seja, programas como o Zorra Total também são mantidos – mesmo que parcialmente – com dinheiro ‘do povo’. E vai me dizer que a TV Globo não tem partido?

 

*Jornalista.

 

Acesse:

http://intervozes.org.br/

levante

Sobre tojolos e blocos de cimento

– Então você está me dizendo que não acredita na construção do conhecimento através de um esforço diário e contínuo de memorização intensa de conceitos, fórmulas e modelos?

– Depende do que você entende por conhecimento. Imagine, por exemplo, que cada fragmento de informação sejam tijolos ou blocos de cimento. O que te parece uma montanha de tijolos ou blocos de cimentos armazenados em um espaço amplo, sem nenhuma forma, sem ordenação, sem ligação, sem sentido, sem função?

– Entulho.

– …

 

Desce pra terra, Pastor

Foto retirada do site DouradosNews

Não é foto. É print do vídeo mesmo

Por Wender Carbonari*

 

O discurso do vereador de Dourados, Pastor Sérgio (PSB), por mais absurdo que pareça para alguns, coloca em cena um discurso que não deixa de ser, em certa medida, popular. Se por um lado a fala dele deixou muita gente indignada, por outro, representou aqueles que defendem a tal “família tradicional”.

 

Pegando emprestado as palavras do internauta ‘martinsbnr’, em comentário no site de notícias DouradosNews (link aqui), percebe-se estas contradições. Ele afirma que “Os héteros são obrigados a aguentar tudo”, enquanto “eles [GLS, GLBTS, GLBT, LGBT, entre outras categorias] podem falar o que quiser”.  Muito convicto em seus ideais, o internauta conclui:

 

“Concordo com o vereador: acho que todos tem direito de viver como quiserem, mas as pessoas tem o direito de achar isso anormal e falar que é anormal. Um dia, os normais serão os anormais. Um dia, não. Acho que já estão sendo…”

 

Apesar de estar concordando com o vereador, suas palavras jogadas na rede não foram tão inúteis assim. Pois sim, as pessoas deveriam ter o direito de viver como quisessem, mas não vivem principalmente por causa da falta de bom senso de pessoas como o próprio vereador no qual ele apoiou no comentário. Assim, notamos que quem sempre bateu na mesa e enfiou guela abaixo valores, verdades e ideias, não foram os pequenos grupos, não foram os marginais, os deslocados, os excluídos, não foram os gays.

 

O tempo vai passando e o que era normal, o tradicional, vai se modificando, misturando, agregando, transgredindo, avançando, etc. Faz parte da nossa história e da nossa cultura. O pastor Sérgio podia sair um pouco do mundo encantado em que vive e dar só uma voltinha no mundo real. Só um pouco mesmo. Ele ia perceber que esta família tradicional que ele tanto defende não faz parte da realidade da maioria das pessoas.

 

Muitas mães trabalham como ‘pais’, por exemplo. E se um dia a ‘mãe solteira’ era sinônimo de vergonha para pessoas como o pastor e seus discípulos do “mundo da Alice”, hoje estas mulheres começam a ser respeitadas pela força que tiveram ao criar os filhos sem a figura de um pai em casa.

 

Se a criança perde alguma coisa com isso? Não. Nem uma criança se torna ‘imperfeita’ ou menos capaz porque a família dela é diferente do colega que teve um pai em casa (algumas vezes um pai ausente, ou um pai alcoólatra, que mais atrapalha do que ajuda, mesmo seguindo o modelo tradicional).

 

Ao ensinar para uma criança, mesmo àquela que é órfã, qual o modelo certo (na visão delimitada pelo tradicional) de se constituir uma família, o final da história é evidente e a rejeição é consequência. Mas tirado este conceito pré-estabelecido, é de suspeitar que a criança prefira ter um lar sem nem se dar conta de toda esta discussão sobre seus possíveis tutores.

 

Se os colegas rirem dele? É porque também foram contaminados com aqueles mesmo valores. É exatamente esta mentalidade que a Comissão de Direitos Humanos – na qual se refere o vereador do PSB, quer destruir, despedaçar e jogar na lata de lixo da nossa história cheia de dogmas que nos separam, que nos atrapalham e ofendem aqueles que já tem tantos problemas para enfrentar.

 

Não que as religiões não devam ter suas próprias verdades. A ilusão faz parte, mesmo. Mas sempre que subir na tribuna, por favor pastor, desça para a terra.

 

*Jornalista.

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DISCURSO DO PASTOR SÉRGIO (PSB) (DIA 15 DE SETEMBRO)